Como evitar a linguagem clichê no conteúdo
Estratégias práticas para identificar e substituir clichês em textos de marca, aumentando clareza e impacto na audiência brasileira e portuguesa.
Hareki Studio
A anatomia do clichê e a preguiça cognitiva
Clichês surgem quando expressões que foram originais perdem força pelo uso repetido, transformando-se em filtros invisíveis para o leitor. Termos como 'serviço de qualidade', 'foco no cliente' ou 'empresa líder' soam familiares a tal ponto que o cérebro os ignora, impedindo processamento profundo e reduzindo o engajamento.
A escolha do clichê quase sempre decorre de economia mental: é mais fácil reaplicar fórmulas prontas do que inventar uma formulação precisa. Estudos recentes sobre comportamento de leitura mostram impacto mensurável na atenção quando o conteúdo é genérico — conteúdos com alta densidade de frases vazias tendem a ter menor tempo médio de leitura e menor retenção da mensagem.
Exercícios de detecção de clichês e desenvolvimento de consciência
O primeiro passo para reduzir clichês é identificá-los. Um exercício eficaz é a 'caça ao clichê': selecione aleatoriamente dez peças do seu arquivo e marque em destaque todas as expressões que soam genéricas. Essa visualização costuma revelar rapidamente a proporção de trechos que precisam ser revistos e cria um ponto de partida coletivo para a equipe.
Outro teste prático é a regra dos cinco segundos: após ler cada frase, pergunte-se se qualquer concorrente do seu setor poderia escrevê-la sem esforço. Se a resposta for sim, trate-a como potencial clichê e reescreva. Essa técnica, inspirada por princípios de estilo consagrados, estimula a precisão e evita formulações preguiçosas.
Princípio da especificidade: do geral para o particular
A maioria dos clichês são generalizações; a cura é a especificidade. Em vez de dizer 'oferecemos soluções inovadoras', prefira dados e exemplos concretos: por exemplo, 'no último semestre implementámos um módulo de conciliação automática que reduziu o tempo de fechamento contábil em 4,2 horas por mês'. Detalhes concretos geram imagens mentais e aumentam a credibilidade da afirmação.
Adote o hábito de seguir cada afirmação vaga com a pergunta 'por exemplo, o quê?'. 'Melhoramos a experiência do cliente' transforma-se em 'reduzimos o tempo médio de resposta do chat de 45 para 12 segundos'. Como demonstram pesquisas sobre memorização de mensagens, informações concretas e mensuráveis aumentam significativamente a retenção.
Construindo um repertório de expressões alternativas
Eliminar clichês exige substitutos. Crie um glossário interno de alternativas: na coluna esquerda, registre as expressões a evitar; na direita, proponha formulações alinhadas à voz da marca. Por exemplo, troque 'solução 360 graus' por 'abordagem que cobre todos os pontos de contacto' e 'mudança de paradigma' por 'reavaliação de práticas estabelecidas'.
Para enriquecer esse repertório, incentive a leitura de literatura, ensaios e crónicas, além de materiais técnicos do setor. Expor redatores a estilos variados amplia o vocabulário e a sensibilidade estilística. Na Hareki Studio, recomendamos listas mensais de leitura que incluem ensaios, biografias e contos, não apenas artigos sectoriais.
Filtro editorial e processo de auditoria de clichês
A responsabilidade de controlar clichês não pode ficar apenas na consciência individual; é preciso um filtro editorial sistemático. Todo conteúdo deve passar por uma etapa de auditoria de clichês, em que o editor consulta uma lista predefinida e sugere alternativas contextualizadas. Embora inicialmente exija tempo, esse procedimento reduz o uso automático de fórmulas em poucas semanas.
Ferramentas tecnológicas aceleram a triagem: plataformas como LanguageTool e editores integrados do Microsoft Word podem sinalizar repetições e frases vagas, e listas personalizadas de termos podem ser carregadas em sistemas de revisão. Contudo, a combinação entre automação e julgamento humano é a mais eficaz: as ferramentas fazem a varredura mecânica, e o editor decide pelo ajuste contextual, alcançando reduções significativas na taxa de clichês ao longo de seis meses.
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