Como preparar a lista de palavras proibidas
Guia prático para criar e implementar uma lista de palavras proibidas que protege o tom de voz da marca, com categorias, processo e integração com automação.
Hareki Studio
Fundamento estratégico do conceito de palavras proibidas
Uma lista de palavras proibidas documenta de forma sistemática termos e expressões que a marca não deve usar, indicando alternativas aprovadas. Esse instrumento operacional é a camada mais concreta de proteção do tom de voz: por exemplo, uma rede hoteleira de alto padrão pode vetar "barato", "desconto" e "promoção" e preferir formulações como "tarifação diferenciada", "condições privilegiadas" ou "ofertas selecionadas".
A justificativa teórica apoia-se na teoria do enquadramento de George Lakoff: as palavras não só transmitem informação, mas constroem quadros de percepção. Trocar "paciente" por "acolhido" em serviços de saúde ou "aluno" por "aprendiz" em plataformas educacionais são escolhas de enquadramento deliberadas. Relatórios de mercado, como estudos da McKinsey, indicam que consistência lexical pode melhorar a percepção da marca em percentuais relevantes.
Cinco categorias essenciais de palavras proibidas
Uma lista eficaz organiza-se em cinco categorias. Primeiro, "expressões contrárias à personalidade da marca": para uma marca descontraída, termos excessivamente formais soam deslocados; para uma marca séria, gírias informais podem prejudicar a credibilidade. Segundo, "termos com associação a concorrentes": expressões ou slogans presentes em players locais (marketplaces ou bancos digitais) devem ser evitadas para não criar vínculos indesejados.
Terceiro, "linguagem sensível e excludente": termos que reforçam discriminação por gênero, raça, idade ou condição socioeconômica devem ser banidos. Quarto, "jargão que gera ambiguidade": siglas e tecnicismos incompreensíveis ao público-alvo. Quinto, "clichês desgastados": frases como "líder do setor" ou "foco no cliente" que não agregam diferenciação. Para cada categoria, recomenda-se listar pelo menos dez exemplos e alternativas aprovadas.
Etapas práticas para elaborar a lista
Recomenda-se um processo em três etapas. Na primeira, realize análise de frequência lexical no acervo de conteúdo para identificar usos recorrentes e desalinhados com a voz da marca. Ferramentas úteis incluem Google Cloud Natural Language, bibliotecas como NLTK para Python, além de opções de análise textual acessíveis como Voyant Tools ou Orange Text Mining.
Na segunda etapa, conduza entrevistas com stakeholders — fundadores, times de atendimento ao cliente (SAC/CS), marketing e clientes fiéis — para mapear expressões que a organização não deseja associar à marca. A terceira etapa é a análise competitiva: mapeie clichês e slogans recorrentes no mercado (por exemplo, em marketplaces, bancos digitais e grandes redes) para evitar aproximações indesejadas. A integração dos resultados gera uma lista alinhada à personalidade e à estratégia competitiva.
Documento vivo com alternativas sugeridas
A característica mais importante da lista é apresentar alternativas claras para cada termo proibido. Uma proibição sem substituição paralisa criadores de conteúdo; o princípio prático é "não diga X — diga Y". Empresas brasileiras com guias de estilo reconhecidos, como Nubank e iFood, exemplificam a prática de oferecer alternativas contextuais para facilitar a adoção.
Mantenha o documento vivo: revise-o trimestralmente para incorporar mudanças linguísticas, novas sensibilidades sociais e tendências setoriais. Hospede a lista em plataformas colaborativas (Google Docs, Notion, Confluence) para permitir sugestões e histórico de alterações, garantindo participação contínua das equipes.
Adoção pela equipa e integração com automação
Distribuir a lista não basta; promova workshops interativos para que as equipes compreendam as razões por trás das proibições. Quando a pergunta "por que vetamos esta palavra?" tem resposta clara, a prática deixa de ser uma obrigação e vira preferência consciente. Inclua exercícios práticos que comparem antes/depois e casos reais do mercado brasileiro/português.
Na ponta da produção, integre a lista a ferramentas de revisão e automação: LanguageTool, Grammarly Business e Writer.com aceitam dicionários personalizados e alertas em tempo real; também é possível criar regras em fluxos de CMS ou bots no Slack para sinalizar usos indevidos. Estudos de caso de clientes que adotaram automação mostram reduções expressivas no uso de termos proibidos já nos primeiros meses, além de ganhos em consistência e velocidade de produção.
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